
Dê uma olhada em meu corpo. Veja as minhas mãos. Há tanto aqui que eu não compreendo. Suas promessas superficiais, surradas como preces, eu não preciso delas. Pois tenho sido tratada de uma forma tão errada, tenho sido tratada assim por muito tempo, como se eu estivesse me tornando intocável. Bem, o desprezo é amante do silêncio, ele prospera na escuridão com delicados galhos espiralados que estrangulam o coração. Dizem que promessas amenizam a desgraça, mas eu não preciso delas. Não, eu não preciso delas. [...] Sou uma flor que morre lentamente durante uma impiedosa geada. O doce se torna acre e intocável. Oh, eu preciso da escuridão, da doçura, da tristeza, da fraqueza. Oh, eu preciso disso! Preciso de uma canção de ninar, de um beijo de boa noite, anjo, doce amor de minha vida. Oh, eu preciso disso! - My Skin
P.O.V VOCÊ
— Vai tudo ficar bem, SeuNome. Eu
prometo! — Derek me abraçava. Me abraçava como se o mundo estivesse acabando.
Me abraçava como se ele estivesse perdendo uma pedra preciosa, mas na verdade
era eu quem estava prestes a perder a minha pedra preciosa.
— Não precisa chorar. — Ele
tentava me acalmar. — Eu vou ficar bem! Eu vou voltar bem!
— Assim eu espero, Derek. — O
respondi.
Derek Martin havia acabado de
ser chamado para uma guerra no Iraque. Ele havia se alistado no exército fazia
um ano e meio, mas só agora ele foi convocado para uma guerra. Eu não queria
que ele fosse, não queria mesmo. Eu sentiria falta das nossas brigas, sentiria
falta de quando ele entrava em meu quarto desesperado ao ouvir eu gritar quando
tinha um pesadelo. O abraço de minha mãe era bom, mas eu não me sentia segura
como me sentia nos braços de Derek.
— É só por um tempo. — Ele ainda
tentava me consolar. — Eu voltarei logo.
— Mas tem grande chance de eu
nunca mais te ver. — Derek engoli em seco e voltou a me abraçar.
— Mas eu vou voltar, só preciso
que você peça à Deus para me trazer inteiro.
— Eu vou orar, Derek, muito.
— E eu tenho certeza de que irá
fazer isso. — Derek beijou as minhas mãos e limpou algumas lágrimas.
— Eu te amo.
— Eu também te amo, minha irmã.
Estava tudo acontecendo tão
rápido. Ontem mesmo havia completado meus dezessete anos de idade, e hoje
recebo a notícia de que semana que vem meu irmão mais velho iria para uma
“viagem” e corria o risco de nunca mais voltar. Engoli o choro e dei um meio
sorriso para Derek, certificando de que eu estava bem e começara a aceitar esse
fato, o que não era verdade. Ele devolveu o meio sorriso e voltou para o seu
quarto, indo terminar de arrumar as suas coisas. Essa seria uma longa semana...
Manhã seguinte...
Não posso dizer que tive uma boa
noite de sono, pois eu realmente não tive. Pesadelos iam e vinham durante a
noite toda, e eu não tive nenhuma esperança de que sonhos bons iriam vir. Desci
para a cozinha e encontrei toda a família reunida. Mamãe, papai e Derek. Sorri
e juntei-me a eles.
— Ansiosa para a volta às aulas? — Mamãe perguntou.
— Pra ser sincera... Não.
— Geralmente você só fica assim
quando está em escola nova. — Derek riu.
— São as notas. Tenho medo de não
passar para o terceiro ano, e isso me preocupa muito.
— Você? Com medo de não passar de
ano? — Derek me olhou e depois voltou a rir. — Está se sentindo bem?
— Acho que melhor do que você.
Algumas vezes Derek chegava a ser insuportável, mas ainda assim, era ele que sempre me apoiava em minhas decisões, sendo elas de bom agrado a ele ou não. Meus pais eram severos, e quase não me permitiam namorar Calum, diziam que ele não era o tipo de garoto que quando estiver bêbado iria me bater, o que não era verdade. Calum pode ser um pouco irritado ás vezes, mas me tratava com todo o respeito e carinho que ele poderia me dar. Era por isso que eu o amava.
— Jenna vai voltar mesmo para a escola? — Perguntou meu pai.
— Ah, eu não sei. Mas parece que sim, a vi voltando para a antiga casa de sua mãe.
— Eu espero que vocês voltem a ser amigas como antes, ela realmente é uma boa garota. — Assenti, mas eu no fundo discordava de minha mãe. O que ela não sabe era que Jenna era uma bela de uma vadia.
— Também espero, mamãe. — Menti.
Ao terminar de comer, levantei-me e fui arrumar as minhas coisas e escovar os dentes. Não estava atrasada, eu geralmente era uma das primeiras a chegar na escola e tinha tempo o suficiente para poder ficar ouvindo música e imaginar um mundo perfeito. Derek quis me dar carona, e provavelmente essa seria uma das últimas caronas que ele me daria por um período indeterminado. Entrei no carro e liguei o rádio, tocava uma música no qual nunca tocou So Cold - Ben Cocks. Já havia ouvido essa músicas umas duas ou três vezes, gosto dela, apesar de ser bem lentinha e um pouco repetitiva.
— Esse não é o seu tipo de música. — Derek disse.
— Mas eu gosto, acho... interessante o que a música fala.
— Você acha que se sente fria?
— Acho que irei me sentir fria caso alguma coisa muito ruim acontecer à você.
— Achei que já tivéssemos falado disso. — Derek desviou o olhar.
— E falamos, mas eu simplesmente não consigo aceitar. Não tenho nada contra os soldados do exército, mas como toda família, tenho medo de que você não volte vivo.
— E eu tenho medo de voltar e as coisas terem mudado.
— O que poderia mudar? — Derek deu partida no carro e me encarou com os olhos lacrimejando.
— Você. — E assim, ele me levou para a escola num silêncio completamente mortal.
Não gostava quando eu e meu irmão tínhamos uma conversa assim. Achava que ele sabia de alguma coisa sobre mim que ninguém mais sabia, nem mesmo meu pai e minha mãe. Continuei ouvindo rádio, apenas olhando para a janela e pensando sobre o que eu faria enquanto Derek já não estivesse mais presente em casa. Estávamos crescendo, assim como também estávamos mudando. Ele vai para a guerra, enquanto eu quando terminar o terceiro ano tentarei entrar em Harvard.
Éramos diferentes em relação aos nossos sonhos. Eu pretendia fazer faculdade, ele não, ele sempre sonhou em ser herói. Mas para mim, ele já é meu herói pelo simples fato de estar lá quando eu preciso, quando eu tenho pesadelos. Derek parou em frente a escola e finalmente olhou para mim, ele queria falar algo, mas ao invés disso ele apenas segurou em minha mão e continuou olhando para mim com um pequeno sorriso no rosto, ele aparentava estar um pouco preocupado.
— Olha, se alguma coisa acontecer, saiba que eu vou estar com você.
— Não, você não vai estar.
— Não pessoalmente, mas sim em seus pensamentos. — Derek beijou minha mão e voltou a me olhar.
— O que está querendo dizer?
— Quero dizer que aconteça o que acontecer, sempre estaremos juntos, lutando para um dia chegar no amanhã. — Meu irmão tirou seu precioso colar de seu pescoço e me entregou. — Sempre que eu ver um Ying Yang, lembrarei de que você está aqui passando pelos mesmos problemas que eu passei.
— Que problemas?
— Você vai entender com o tempo. Pegue!
— Está me dando o seu colar? Derek, eu não posso aceitar!
— Sim, você pode! Agora pegue!
— Obrigada. — Disse e peguei seu colar, colocando logo em seguida em meu pescoço.
— E para você, quando olhar para esse colar e estiver com problemas, saberá que eu também passei por isso. É difícil no começo, mas depois de um tempo eu descobri que isso fazia parte de mim, me fazia diferente.
— Me desculpe mas eu não estou entendendo nada do que você está falando.
— Eu sei. — Ele sorriu.
— Por que um Ying Yang?
— Ying Yang me faz forte.
— Você vai estar no Iraque, como vai olhar para um Ying Yang e lembrar de mim?
— Um dos meus colegas é chinês, ele sempre desenha um Ying Yang num local que marca a vida dele.
— Eu nunca vou tirá-lo. — O olhei e sorri, Derek estava chorando.
— É bom mesmo, assim eu fico seguro de que você não vai me esquecer.
Meu irmão tinha a incrível habilidade de me fazer rir por coisas bobas ou até mesmo pelo modo como ele falava. Ele beijou minha testa e eu saí de seu carro, indo para dentro da escola. Vire-me para trás e o vi virando a esquina voltando para casa. Eu só tenho mais alguns dias com o meu adorado irmão, eu tenho que aproveitar cada minuto, não posso desperdiçar nem um pouquinho.
Entrei na escola e fui guardando meu material em meu armário. Eu realmente espero que Jenna não tenha voltado para a escola. Ela é uma vadia e a única coisa que ela sabe falar é sexo, sexo, sexo e mais sexo. Às vezes parece que ela não tem outro assunto, perdi até as contas de quantas vezes a deixei falando sozinha e fiquei ouvindo música e fingindo que a escutava. Eu sou apenas amiga dela pois Jenna -até onde eu sei-, foi sempre verdadeira comigo e anda comigo porque somos populares.
Em casa eu sou a nerd rebelde, e na escola eu sou a patricinha que fingi ser burra para as pessoas não ficarem falando que sou uma desonra para a escola. Eu namoro o capitão do time de Lacrosse, Calum Hood. Aqui em Gold Coast futebol era uma piada. Bom, pelo menos para a maioria das escolas, já que o esporte local é Lacrosse. Sente-me em um banquinho no jardim da escola e fiquei lendo um livro: The Maze Runner, pelo o que diziam era um bom livro. Li as duas primeiras linhas e depois o fechei, o leria depois de terminar de ler A Maldição do Tigre.
Diferente de mim, Calum não gostava de ler -ele nem imaginava que eu amava ler-. Mas ouvia falar de livros e me contava o quanto as pessoas falavam bem ou mal de tal livro e eu me interessava e logo estava indo para uma livraria comprá-lo. Fechei meu armário e quando estava indo para a sala de aula tive uma surpresa: Jenna estava ali, vindo em minha direção com as suas roupas de marca e super curtas -não posso reclamar, estou quase do mesmo jeito-. Vadia foi a primeira coisa que me veio na cabeça.
— Você não sabe o tanto de pessoas ridículas havia naquela escola. — Jenna disse.
— Nossa, você deve ter sofrido! — Fingi estar interessada e a loira de farmácia deu um meio sorriso e me abraçou falsamente. Ela pode ser verdadeira comigo, mas acredito que anda comigo apenas para ter popularidade.
— Mas o único ponto positivo naquela escola era que tinha muitos caras gatos.
— Uma escola sem caras gatos não é uma escola.
— E como foi o ano para você? Conseguiu namorar Calum Hood? — Jenna não sabia, mas eu e Calum mantínhamos um namoro firme e forte desde o início do ano passado.
— Sim, somos o casal do momento.
— Percebi que chegou muita gente nova desde o momento em que saí da cidade.
— Assim como muita gente nova chegou esse ano.
— Você está estranha. — Jenna olhou-me de cima abaixo e parou no colar de Ying Yang que Derek havia me dado minutos antes. — Acho que já vi esse colar em algum lugar.
— É do Derek, ele me deu. — Jenna aproximou-se de mim e pegou no colar. Não estava gostando disso, ela olhava para o colar com cara de nojo, e quando ela fazia essa cara significava que ela iria se livrar do colar.
— Essa coisa não combina com você. — Dito isso, ela arrancou o colar de meu pescoço e o jogou.
— Hey! — Gritei. — Isso é importante!
Eu já não gostava dela e, quando ela jogou aquele colar senti uma vontade imensa de batê-la com toda a minha força. Peguei o colar e coloquei-o de volta, Jenna apenas me encarava e deu uma gargalhada. Ela estava começando a notar que eu não estava nada bem.
— Como eu disse, você está estranha.
— Desculpe, é que o Derek vai lutar pelo país numa guerra e ele me deu o colar dizendo que sempre estará comigo, aconteça o que acontecer.
— Não sabia que você era sentimental. — E eu não sabia que você era tão chata. Pensei.
— Então você acaba de saber.
— Temos uns dez minutos antes do maldito sinal tocar. Vamos comprar algum chiclete?
— Claro.
P.O.V ASHTON
— Vamos, Luke! — Gritei. — Eu não tenho o dia todo!
Comecei a buzinar na tentativa de chamar a atenção de Luke, mas acho que não estava dando muito certo. Primeiro dia de aula. Teste para o primeiro time de Lacrosse. Luke não queria ficar no banco esse ano, já para mim tanto faz, eu não sou um bom jogador. Buzinei outra vez e novamente fui ignorado. Maravilha! Peguei meu celular e sorri ao ver a foto de SeuNome Martin como tela de bloqueio do meu celular. Ouvi a porta do meu jipe ser aberta e Luke entrou sorridente.
— Por que demorou tanto?
— Estava procurando as minhas luvas. — Luke colocou o cinto e eu dei partida no carro.
— E onde essas malditas luvas estavam exatamente?
— Em cima da minha escrivaninha. — O encarei e me segurei para não socar-lhe a cara.
— Está me dizendo que você passou cerca de dez minutos procurando uma coisa que estava praticamente na sua cara? — O loiro assentiu. — Me dê um bom motivo para mim não socar a sua cara.
— Eu sou muito lindo e você me ama.
— Eu pedi um motivo.
— Mas eu preferi dar dois.
— Então, vamos mesmo para a escola? — Luke me olhou como se fosse óbvio a sua resposta.
— Nós só temos essa chance pra poder sair do banco e ir para o primeiro time.
— Opa, meu amigo! Você quer ir para o primeiro time, não eu.
— Achei que quisesse ser um pouco mais popular.
— Sabe, Hemmings, eu estou meio que invisível por sua culpa.
— Minha?
— É isso aí! Você me nerdizou.
— O que isso quer dizer, Ashton?
— Que você me tornou nerd. — Luke deu uma gargalhada. — E o pior é que eu ainda ando com você.
To be continued...
Eu não sou boa com começos de fanfics, me desculpem. As coisas vão começar a acontecer no próximo capítulo, e os trechos das músicas serão as que eu estarei ouvindo enquanto escrevo, ou seja, as que eu acho que combinam com o capítulo. Se houver alguma palavra junta, me digam, pois a barra de espaço do meu teclado não está funcionando. Postarei o próximo nesse final de semana. Beijos!
pela mor de deus continuaaaa
ResponderExcluirO próximo capítulo já está sendo escrito. Acredito que você irá gostar.
Excluir