Our Faith - 19

Eu me sinto tão entorpecida de encarar a parede do chuveiro. Começou a sensação de que o fim chegou e agora a água está fria. Tentei comer hoje mas o nó na minha garganta ficou no caminho. Nesse momento, perdi todo o senso de orgulho, liguei umas centenas de vezes.
Se eu ouvir a sua voz, vou ficar bem e eu, eu não consigo acordar quero que o quarto me derrube, porque eu não posso evitar de pensar: E se eu tivesse mais uma noite para me despedir? Se você não está aqui para apagar as luzes, não consigo dormir. Estas quatro paredes e eu. - These Four Walls
SeuNome P.O.V
A linha atenua as paredes pretas e brancas do meu quarto, formando linhas horizontais com graus diferentes e alguns quadros com paisagens de Londres, Tokio e Paris penduradas em cada linha do meu quarto. Quando fiz 14 anos, foi a altura em que mais me prendi em meu quarto e comecei a chamar-lhe "O meu habitat natural". Também foi nessa altura que eu o decorei, ou seja, tenho um grande quadro dos Jonas Brothers na parede principal que nunca tive coragem de retirar de lá. 

Vou admitir que o meu primeiro crush foi o Nick Jonas e aquele cabelo encaracolado que deixava qualquer menina louca, agora ele não tem mais aqueles cachinhos e com esse sumiço, também sumiu meu amor obsessivo por ele, também cresci e isso ajudou. Contudo ainda costumo ouvir umas músicas, minha favorita continua a ser Underdog.

Era agora nesses pensamentos que eu me perdia tentando esquecer o desastre que era a relação do meu melhor amigo com ... com supostamente a minha arqui-inimiga . Me julguem mas ele não merecia Callie, e Callie não o merecia. Ele merece alguém que irá tratá-lo com respeito, amando cada parte dele, especialmente as suas falhas. Sim, era bobo eu pensar isso, mas era melhor protege-lo, afinal nos ajudávamos uns aos outros.

- SeuNome, trouxemos sua refeição favorita ... Pizza. - meu pai entra com um tabuleiro em meu quarto. - Achei que você podia querer comer qualquer coisa.
- Estamos a 2 semanas do Natal e você já começa a ser assim, queridamente querido?
- Ah qualé? Minha filha está a uns meses de ir embora, tenho que aproveitar enquanto estás aqui connosco. E aliás, você está crescendo ...
- Só notou isso agora? - ergo as sobrancelhas.
- Notei quando percebi que você já estava tendo amigos ... garotos ... potencialmente perigosos. Marcus ou é Mark ...
- Michael . - o corrijo. - E não se preocupe ele tem namorada.
- Você fala isso como se fosse uma coisa má. Para mim parece-me muito bem.
- Está calado pai ... Você é um péssimo conselheiro, quase tão bom quanto o Mike.
- Vocês já tem alcunhas um para o outro? Eu não permito nenhum garoto perto de você sem ser o seu primo.
- Você nem gosta do Ashton. - rolo os olhos.

[...]
Último dia do semestre, última prova. E eu, como sempre, a última a sair da sala de aula. Sempre fui uma aluna muito aplicada, confiro todas as provas que faço para evitar erros desnecessários. Frutos de uma educação de regime que os meus pais me ofereceram.
Caminho pelos corredores, já vazios visto que todo o mundo terminou a prova uma hora mais cedo, o que torna minha saída ainda mais assustadora.

Como tinha o carro do meu pai emprestado não precisei de carona de ninguém, por isso a caminho do parque de estacionamento escuro, e não sei como o encontrei no meio da noite cerrada um carro preto. Assim que coloquei meus olhos nele, abri a bolsa para pegar minhas chaves e, com a distração, senti que fui prensada contra o carro. O baque foi tão forte que senti que a qualquer momento o ar ia abandonar meus pulmões. Uma mão forte segurava meus dois pulsos presos as minhas costas e a outra mão pressionava minha cabeça na lataria do carro. Quando eu estava começando a cogitar a possibilidade de um assalto, escutei uma voz familiar saindo de trás de mim.

- Se você gritar SeuNome, será pior para você. - Cody sussurrou muito perto do meu ouvido – Ninguém vai te escutar daqui! - Mordi meus lábios com força, é claro que ele estava preparando alguma coisa quando passei por ele mais cedo, só não esperava que ele fosse tão baixo.
- O que você quer, Cody? - minha voz quase não saia com medo do que pudesse acontecer.
- Quero tirar a virgindade a uma garota e SeuApelido, você é única gostosa nerd que este colégio tem. Você não sabe o quanto me excita.
- Filho da puta, me larga. - tento mexer meus pulsos mas ele ainda me aperta mais. - Você está louco?
- Eu nunca tive tanta certeza na minha vida. Eu quero ver você gemer meu nome bem alto para deixar os caras saberem a quem você pertence.

Ele pressionou minha lateral contra o carro e começou a distribuir beijos e mordidas pelo meu pescoço. Minhas lágrimas começaram a cair com mais força no momento em que ele arrancou minha t-shirt e começou a mexer nos meus seios cobertos pelo sutiã. Minha boca não obedecia aos beijos agressivos que ele me dava, e minhas pernas tentavam dar pontapés em suas canelas para que ele me larga-se.

Quando sentia minhas forças se esgotarem alguém me deu um puxão me atirando para o chão, deixei de sentir Cody e apenas ouvi-o xingar alguém e gemer de dor. Me escondi atrás do carro e me coloquei em uma bola, com a cabeça em cima dos meus joelho.

Ouvi alguém socando alguém e mais gritos de dor enquanto as minhas lágrimas escorriam sem parar por ele me ter tocado, no fim de alguns minutos, ouviu-se um silêncio aterrador e um arrepio seguiu minha espinha. Ninguém mais me tocava.
Olhei para o lado e consegui ver o corpo de Cody caído no chão, desacordado enquanto alguém estava olhando para ele.
Ele tinha acabado de socar Cody e tinha deixado ele inconsciente. Eu não sabia quais eram as suas intenções, como ele nos achou nesse estacionamento e nem o que ele faria comigo, agora que estava se aproximando de mim lentamente.

- SeuNome? - sinto umas mãos percorrerem meu rosto e logo uma respiração por cima de meu ombro. - Você precisa que eu te leve no hospital? Fale comigo, SeuApelido.

Minha mente está muito fraca para processar, minha cabeça doí, alias todo em mim doí. Contudo eu consigo distinguir o som familiar da voz dele, eu conheço seu toque e seus olhos ... Michael. Me agarro a seu corpo e fico ali, com medo que alguém me pegue, enquanto ele passa seus dedos sobre meu cabelo. De repente não sinto mais nada e acabo apagando.

[ ... ]

Meus olhos são lentamente abertos, pisco para deixar de ver o ambiente desfocado que começa a se atenuar enquanto meus sentidos voltam. Eu reconheço esse ambiente onde me encontro, estou num quarto só não consigo enxergar em qual. Não estou em minha casa, os cheiros não são os mesmos. Flashbacks impedem minha mente de raciocinar.

Só me consigo lembrar de sentir o cheiro do perfume de Michael e depois apaguei. Meus pulsos estão totalmente vermelhos, demonstra a violência de como foram apertados. Do nada comecei a chorar, não sei porque mas meus olhos começavam a deitar mais lágrimas do que o normal. Afaguei a cabeça na almofada e fiquei ali chorando.

Passado uns quantos minutos me levanto da cama e vejo meu reflexo no espelho. Meu cabelo está tudo menos alinhado e parece que enfrentou um vendaval, meus olhos são parecidos a duas bolas de tênis vermelhas. Estou um terror.

Caminhei até a entrada da sala e encostei a lateral do meu corpo no relevo da parede fria já vendo aquele cara, também conhecido por Michael Clifford, dormindo no sofá com o controle da Xbox do lado. Automaticamente me lembrei de ele chamando meu nome. Ele merecia tudo, ele tinha me salvo e se não fosse ele nem sabia o que eu teria feito.

- Michael? - abano o braço dele. - Mikey?
- Hum? SeuNome vai dormir, são 2 da manhã. - ele reclama e puxa uma das almofadas do sofá para tapar a cara dele.
- Por favor? - faço a minha melhor cara de cachorro abandonado o que o faz rir.
- Não faça isso SeuNome, isso é batota. - ele me puxa para o sofá. - Você está sempre fazendo batota e isso não vale.
- Vale sim. - beijo a bochecha dele. - Então ... fica fazendo direta comigo?
- Okay.

Ficamos conversando e dizendo coisas bobas até serem 4 da manhã quando os olhos de Michael não aguentavam mais ficar abertos. Ri da cara dele e dei uma tapa leve na bochecha dele chamando a sua atenção. 
Havíamos ligado o Ipod dele e ficamos ouvindo música mesmo que fosse a música dele, eu não me importava, eu queria estar nesse momento com ele. Queria estar com alguém que realmente se importa-se comigo e ele, ele se importa comigo.
Passado umas horas decidi ir tomar banho, de alguma forma acho que ainda conseguia sentir ... ele ... me tocando. Porém quando estava com Michael ele me fazia gostar dele.
Estou colada ao meu melhor amigo? O que está dando comigo?

Entro na cabine do chuveiro. Me sinto entorpecida ao olhar a parede do chuveiro com pequenas gotas de água escorrendo pela mesma, á água fria escorre por meu corpo enquanto a sensação que o fim da paz chega ao fundo do meu coração. É difícil de explicar, por isso deixei de chorar, apenas tem uma dor pungente no sitio onde o meu coração devia estar.´

Saio da cabine do chuveiro e enrolo meu corpo numa toalha e me olho no chuveiro. Não conheço a garota que está no reflexo do espelho, só sei que não sou eu. Olho mais uma vez mas desvio o olhar para meus pés. Ele tinha razão, ele sempre teve.

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Faço meu caminho até ao quarto do Michael e visto uma das t-shirts dele - já que a minha tinha sido violentamente arrancada-. Salto para a cama e fico brincando com meus próprios dedos enquanto o sono não chega, na verdade eu acho que ele nunca mais chegará. Tenho medo de fechar meus olhos, tenho medo que os pesadelos venham.

- SeuNome? - vejo Michael espreitando como uma criança para dentro do meu quarto. - Tudo bem? Precisa de alguma coisa?
- Compridos para dormir? Ou talvez um murro na cabeça para ver se apago. - falo num tom de brincadeira sem retirar o olhar de meus dedos. 
- Você não se vai "drogar" com medicação. - ele faz aspas com os dedos. Michael é da opinião que se eu tomar alguma medicação ou compridos eu me estou a drogar. 
- Michael, posso te fazer uma pergunta?
- Não me vai beijar de novo pois não?
- Idiota. - atiro uma almofada contra ele. - É por isso que eu não gosto de você.
- Claro que você gosta de mim, sou seu melhor amigo lembra?
- Sei. Você pode ficar aqui ... sabe ... 
- Você me está convidando para dormir com você, na minha cama? - ele ergue as sobrancelhas.
- Tecnicamente, sim. 
- Sério? Você está gravando isso e depois vai dizer "pegadinha" e vai mostrar para os garotos, não vai?
- Estou realmente nessa condição, Michael. Muito obrigado pela compreensão. - volto a olhar para os meus dedos, minhas bochechas estão totalmente vermelhas.
- Não posso recusar um convite seu. Sabe?
- Isso é um sim?
- Tecnicamente, sim. - ele ri imitando minha voz enquanto se senta na cama.

Vejo a mão dele se dirigir ao candeeiro na mesinha do criado mudo, desligando as luzes. Sua mão vai de encontro com a minha e a sensação quer ele me passa me faz lembrar do livros da Suzanne Collins, quando ela relata o sentimento da Katniss durante os pesadelos. De repente um trecho do livro vem a minha cabeça :

Peeta me coloca na cama e me dá boa noite, mas pego a sua mão e não o deixo sair, não quero que ele vá embora. Na realidade, quero que ele se deite na cama comigo, que esteja ao meu lado quando os pesadelos chegarem.

De alguma maneira me identifico, a verdade é que eu não quero que ele vá embora, eu não quero que ele vá ter com outra garota, eu o quero do meu lado, segurando minha mão e que esteja do meu lado quando os primeiros monstros da minha cabeça ocuparem meus sonhos. 

Haveria cerca de cerca de 2 centímetros entre o meu rosto e o dele. Seus braços envolvem minha cintura me puxando para perto do corpo dele. Consigo sentir a respiração dele, é fria, o que por um lado é interessante pois o corpo de Michael é quente, na verdade ele que está me aquecendo essa noite. 

Passado uns minutos Michael está dormindo, descobri quando o ritmo cardíaco dele díminuiu tomando um ritmo calmo. A chuva batia na janela, me dando umas certas lembranças de infância. Puxo meu celular e coloco os fones de ouvido, que andavam sempre comigo em qualquer situação, e coloquei Over Again para tocar.

As nossas mãos se encaixam como um puzzle. Minha mente agora está correndo em pensamentos. Eu estou confusa. Me limito a ouvir música e a ver a música cair enquanto meus dedos desenham círculos invisíveis na mão de Michael. 

Então isso é amor? 

Eu ouvi isso ouvindo na 8Track as lista de músicas de "Late Nights With Michael" - quem estiver interessado, como eu sou uma alma boa vou deixar aqui o link - por isso é que saiu todo fofinho e queridinho e mais algumas coisinhas. EU QUERO CUDDLE COM O MICHAEL - todo o mundo quer vamos admitir -. Enfim espero que tenham gostado. Amo vocês. 

7 comentários:

  1. ficou perfeito.. continua eu já Viciei kkkk

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    1. Sério? Eu achei que vocês não iam gostar porque tem cliché (por acaso sou fã de cliché me julguem) mas ainda bem que vocês gostaram, porque eu simplesmente amo esse capítulo. Continuo sim princesa.

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  2. na hora que estáva lendo a parte que o cody surpreende seunome, fiquei imaginando que Michael iria salva-la. Amei posta logo o Cap 20

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    1. Como eu disse a cima cliché c; eu não gosto da personagem do cody por isso quis jogar ele fora porque eu sou má ... brincando eu sou adorável. sou? enfim veio o mike-ro-wave salvar a seunome sem usar o disfarce. ainda bem que gostou

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  3. AH MDS CODY EU GOSTAVA DE VC SEU BABACA...menina,eu n sei descrever ao certo oq to sentindo com esse cap,só sei q amei mtooooooo ele...amei essa fofura deles dois...KATINISS E PEETA FOREVER....ta tao lindo :') eles dormindo juntos,e tals...ooooooowm
    ta mais do q pfto,eu mais amei do q o normal...continua logo amore q ta pfto
    #PEGAÇAOEVER

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    1. Eu agora estava relendo o capítulo e li "a linha atenua" meu deus eu escrevi mesmo isso? meu dicionário anda variado daqui a pouco sou poeta - bea e o exagero, exagero e a bea - . Eu sei que você gostava Larissa eu fiz isso para te contrariar - estou brincando antes de eu começar a postar sobre o cody tinha isso feito dps fiquei triste de dar a má noticia -. Enfim eu estou fazendo um testamento aqui, então eu deixo o Mr. Dusty - meu gato - para os minos e ah parou chega de testamento ainda sou nova.
      PETNISS FOREVER - eu estava a pegar no livro por isso que me lembrei disso.

      Ouviram gente hashtag #Pegaçaoforever, tudo no twitter.

      Enfim (novamente essa palavra como eu amo ela), ainda bem que você gostou princesa.

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  4. Se as pessoas não gostassem o Cliché não existiria :) ♥

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